terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

OS NOMES DO AMOR


                                                                                   OS NOMES DO AMOR


Mar da Manhã
Nascer e por do Sol
Brisa da Manhã
O murmúrio da água na fonte
O voo triangular dos Cisnes
Andorinha no céu
O canto das aves
Na Primavera, as flores
Silêncio entre dois
Ouvir a mesma música
Sono tranquilo
O Pão
Um sorriso
Presença que conforta
 O contacto das mãos
 O fogo e o calor da lareira
 A escalada 
                                                                                    O Fruto

                                                                                   Inspirado no poema de Margueritte Yourcenar
                                                                                           “ Os  nomes de Deus”

A INCUMBÊNCIA

        A INCUMBÊNCIA
Nasci com proposta de incumbência
Na vida e no tempo passageiro
Com apelos de emoção e de inteligência
Entregando-me sempre por inteiro

Escalar até ao cimo da montanha
Burilar toda a sua aspereza
Gozar o encanto que de lá se entranha
Soltar todos os sonhos com leveza

Não levar o rio da foz a nascente
Marcar a vida com forte sulco
Tempo em que tudo é evanescente

Incumbente tenho uma missão
Descobrir o destino em mim oculto
Como desafio basta, NÃO dizer NÃO


Como escrevi este poema.

Num Domingo já há algum tempo, no programa da RTP2 Câmara Clara foi entrevistada a cantora Cabo-Verdiana Sara Tavares, de quem gosto muito não só como cantora mas também como mulher cidadã do mundo. Nessa entrevista ela considerou que tinha uma espécie de incumbência, e que a queria realizar para se sentir de bem consigo própria e com as suas origens, não recusava nada daquilo que tinha adquirido enquanto cidadã de Portugal e da Europa sentia-se com muito orgulho lisboeta, mas devia isso a ela mesma e às suas origens, no fim da entrevista já eu tinha rabiscado na ponta de um jornal praticamente tudo isto, e cá esta. Espero que gostem 

sábado, 17 de maio de 2014

FELIZ ANIVERSÁRIO AMIGA

FELIZ ANIVERSÁRIO AMIGA

Nasceste pelo signo de uma princesa
Referendada pela luz suave da lua 
Cresceste na sabedoria da incerteza
Vês o mundo com uma visão apenas tua

À vida quotidiana dás pela escrita magia
Encontras beleza onde existe normalidade
Tanto estas triste como explodes de alegria
São estas perplexidades que trazem saudade

Poderias ser uma triste ou alegre canção 

Não sei se escolheste, ou apenas és assim
Melancolia sonho magia silêncio emoção
Foi assim que te imaginei dentro de mim.


Um retrato pobre e incompleto
Neste dia do teu aniversário
Que o teu tempo seja sempre repleto
Do que a vida tem extraordinário

Feliz aniversário.

Bjs 

quinta-feira, 15 de maio de 2014

LITÍGIO

LITÍGIO 

Dona de Bar de Alterne Participa à GNR contra Padre e Beatas

Numa pequena Vila do interior do país, a proprietária de um Bar de Alterne, começou a construção de um anexo do seu estabelecimento no sentido de aumentar e inovar as suas actividades, nomeadamente com a introdução de um espaço para dança de varão.

Em resposta um grupo de “beatas” incentivaram o velho pároco a promover uma campanha para bloquear a expansão do negócio.  
A campanha consistiu na promoção de orações em diversos locais públicos, que daí partiam em procissão para a Igreja, passando pelo diabólico local.

Os trabalhos de construção e reforma continuaram em bom ritmo até uma semana antes da reabertura, quando um raio atingiu o cabaré de Dona Lola, incendiando as instalações eléctricas e causando um incêndio que destruiu tudo.
Dona Lola participou à GNR contra Pároco, as “beatas” e todos os que participaram nas procissões, com o fundamento de que foram eles os responsáveis, pelo fim de seu prédio e do seu negócio, seja através de acções ou meios de intervenção divina, directa ou indirecta.

Na resposta à participação, os demandados, designadamente o pároco e as “beatas”, negaram com veemência toda e qualquer responsabilidade ou ligação das suas orações com o fim da casa de alterne.

O comandante do posto da GNR que ouviu as duas partes, escreveu ao seu superior a pedir conselhos uma vez que a situação lhe fazia confusão.
Colocando-lhe as seguintes questões.

-"Não sei como vou decidir neste caso, porquanto pelo que ouvi até agora, tem-se:

- Uma proprietária de uma casa de alterne que acredita firmemente no poder das orações;


- E um Padre mais um grupo de “beatas” que pensam que as orações não valem nada.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

SONETO PARA OS AMIGOS


SONETOS PARA OS AMIGOS

Encontrar-te aqui, acaso não pensado
Entre tantos que na NET tem abrigo
Surges tu meu velho e novo amigo
Como encontro do destino já marcado

É como se estivesses sempre ao meu lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como és para mim compreensivo comigo.

És um bicho igual a mim, pois és humano
És capaz de me irritar e comover
E sabes disfarçar se me levas ao engano.

Ser amigo é coisa que não se explica
Uma forma de num outro renascer
Não é o corpo, é a alma que se multiplica

sábado, 3 de maio de 2014

COMO SE PARTE DE IDADE

Como se Parte da Idade

Como se morre da Idade
Morre-se de acidente ou doença,
Morre-se com naturalidade
Triste é morrer de indiferença.·

Da indiferença se morre
Partir assim, é dor mais intensa
É dor que magoa e faz pobre
 Tu sabes Senhor, esta dor é imensa.

Na presença terra firme
Na ausência pantanal
Dá-me Senhor quem me anime
E olhe para mim como igual.

Livra-me Senhor, de Auroras
Tristes frias e sem esperança
 Nos dias em que as demoras
Retiram alegria e confiança.

Não quero vida amarga e triste
Mas sentir nos meus, Tua presença
Saber que com eles a vida existe
E não partirei de indiferença.

(Que eu possa dizer assim
Um dia na Tua presença
Chegou o dia do fim
Mas não parti de indiferença)


sexta-feira, 4 de abril de 2014

PERSEGUIÇÃO

PERSEGUIÇÃO

Tinha saído da escola mais tarde que o habitual, a mãe sempre recomendara:
- Logo que acabem as aulas tomas o autocarro e regressas.
 Mas o dia anterior tinha sido especial fizera anos e não resistira a mostrar às amigas o novo telemóvel, não se tinha apercebido do tempo passar, estava já a imaginar as palavras da mãe, ia imaginando as desculpas, afinal mesmo a pé da escola à casa não eram mais que vinte minutos, e parte do caminho seria feito na companhia de algumas colegas.
 Era Novembro o tempo estava mau, passava das dezoito e trinta e era bem escuro, para ainda complicar mais as coisas a iluminação pública estava desligada.
- Decerto por avaria: - murmurou.
A distância entre a escola e a rua principal foi passada entre risos e conversas, quando lá chegaram as amigas viraram à esquerda e ela em sentido contrário, seria cerca de quinhentos metros sozinha, apesar da escuridão queria não ter medo, ainda não tinha percorrido mais que algumas dezenas de metros quando viu aproximar-se um vulto de um homem numa rua que confluía para a principal, instintivamente colou-se à parede batendo sem querer com a mochila nesta, notando que lhe tinha caído qualquer coisa,
 -Um lápis: Pensou,
Mas não parou antes acelerou mais o passo, subitamente aos seus ouvidos chegou o ruído de um arfar de respiração e passos mais rápidos. Em pânico, não sabia o que fazer nem lhe saiam sons da garganta. Tentou ensaiar uma corrida mas as pernas não lhe obedeciam, ela podia escutar passos ainda mais apressados como que a responder à sua reacção e já não arfar mas autênticos rugidos, e aquilo que lhe pareceu uma ordem para parar.
O vulto, atrás ia balbuciando:
- Tenho que a apanhar antes de ela mudar de rua, se isso acontecer não sei como a identificar.
-Vou chamar por ela:-Decidiu:
Mas o caminho já andado e a aceleração daqueles últimos metros impediam-no de gritar, saiu um som frouxo e que ele duvidou que ela tivesse ouvido, tentou acelerar mais o passo, tinha mesmo que a apanhar.
O som que chegou aos ouvidos dela, parecia um miar de mocho, assustou-a mais, a noite parecia ter ganho cores ainda mais negras, as suas pernas apesar de jovens recusavam-se a andar, pelo menos a ela parecia-lhe isso, e no entanto sabia que bastava continuar a manter a distância durante mais alguns minutos e chegaria a casa, ao conforto da casa, ao abraço da mãe, pela cabeça passaram-lhe algumas orações da catequese, não sabia bem se as pensava correctamente, mas o tempo não era de preciosismo. Tinha dois desejos, chegar a casa e fugir daquele monstro. Um desejo trazia o outro.
Lá atrás o vulto fez mais uma tentativa de chegar perto do seu objectivo, acelerou o mais que pode o passo, chamou a si todas as energias disponíveis, e iniciou uma nova etapa em direcção ao alvo, sabia que se ela muda-se de direcção nunca mais lhe ponha os olhos em cima, tinha pouco mais de uma centena de metros antes do aparecimento de uma nova rua, no caso à esquerda se ela vira-se aí com a distância que levava perdê-la-ia de vista para sempre, com aquela escuridão dificilmente a conseguiria identificar, para a abordar mais tarde. A partir daí pensaria o que fazer.
Ela não se atrevia a olhar para trás a escuridão continuava e ninguém na rua, parecia que tudo estava contra, na rua do lado direito algumas casas mas mostrou-se incapaz de tocar numa campainha e pedir ajuda, a paralisação física parecia total, no lado esquerdo apenas um extenso matagal que naquela escuridão projectava sombras assustadoras o vento fazia agitar as folhas das árvores e arbustos fazendo-as semelhantes a horríveis monstros que só via na televisão, sim nos desenhos animados até era divertido, sentia no peito o bater rápido do coração, não conseguia perceber mas sabia que tinha medo muito medo.
Continuando a sua marcha no limite das suas forças o vulto ia planeando:
 -Ela leva trinta, quarenta metros à minha frente, se eu fizer uma corrida, em menos de um minuto apanhou-a e resolvo o problema antes que seja tarde demais, é a minha última tentativa, depois desisto.
Iniciou a corrida de forma desajeitada, não só pelo cansaço, mas também devido à sua estrutura física, um esforço final e apesar do seu muito querer ia ter que desistir.
Não foi logo que ela notou da corrida iniciada pelo perseguidor, porém logo que o fez, apoderou-se totalmente dela o pânico, trazendo a si toda a coragem que ainda restava ganhou forças e arrancou numa corrida a uma velocidade de que não se julgava capaz, rapidamente alcançou o limite da sua rua era aquela que sempre lhe parecia muito perto mas que agora estava a uma distância enorme, a rua continuava deserta a sua casa era logo das primeiras bastava tocar que aquela hora a mãe sabia que era ela e abriria o portão sem perguntar nada.
Ela era jovem e o monstro não, ganhou uma vantagem confortável colou a mão a campainha e não a tirou de lá enquanto a mãe não abriu, entrou de rompante batendo com estrondo o portão de entrada, correu para a porta traseira de casa como habitual, e finalmente libertando-se num choro nervoso e confusamente tentou contar o que se tinha passado.
Naquela hora um tio e um primo tinham passado em casa, deixaram-na acalmar e perceberam que um homem a tinha perseguido, enquanto vinha para casa e que tinha começado a correr atrás dela, mas ela conseguiu fugir.
Armaram-se cada qual com o seu pau e vieram ver se na rua estava alguém, espreitaram do lado de dentro do muro com cuidado de facto a escuridão não facilitava e eles não queriam acender a iluminação da casa para não o espantar, num primeiro olhar não viram ninguém, no entanto a jovem encheu-se de coragem e olhando bem ao longo da rua disse:
- É aquele que esta ali encostado ao muro ao fundo da rua, do lado direito.
 De facto ao fundo da rua via-se alguém que apoiava as mãos no muro e que parecia respirar com alguma dificuldade, como se tivesse feito um grande esforço e nesse momento estivesse a tentar recuperar.
Tio e sobrinho pegaram nos respectivos paus e deram uma corrida veloz em direcção ao homem, que continuava a arfar numa tentativa de normalizar a respiração.
Quando iniciou a corrida para se tentar aproximar da jovem o homem não contou com a reacção desta, mesmo assim não desistiu queria ao menos saber onde ela vivia, no entanto longe de diminuir, a distância foi aumentando tornando cada vez mais difícil cumprir sequer o mínimo que se propusera, saber onde ela vivia, não desistiu e correu até ao fim sabia que ela não o iria ouvir pois gritar e correr nas condições físicas e principalmente com o peso que tinha, não era fácil, bem sabia que precisava de exercício, mas não era aquela a ocasião para se lamentar, ou para fazer propósitos para o futuro. O que mais temia aconteceu, na primeira rua à esquerda ela virou e ele já levava um atraso considerável, só com sorte saberia qual era a casa onde ela entraria, tentou mais um pouco.Com esperança reflectiu.
-Talvez alguma iluminação durante a entrada, permita identificar onde ela mora.
 Por isso não desistiu, chegou ao limite da rua olhou e tudo deserto nada de iluminação nada de pessoas. Finalmente desistiu e permitiu-se um descanso apoiou os braços nas grades do muro e foi respirando apressadamente precisava de tempo para normalizar os batimentos do coração, precisava de tempo para normalizar a respiração, depois pensaria o que fazer, subitamente notou um alarido e os seus olhos e sentidos nem queriam acreditar sentiu o choque de uma vara a atingir-lhe as costas e a cabeça, sentiu uma forte pancada seguida de uma dor violenta junto a orelha o sangue a correr pelo pescoço e gola do casaco, instintivamente virou-se levantou os braços em protecção, com uma mão bem levantada segurando um objecto.
Quando se voltou, tio e sobrinho ficaram espantados, olhavam para a pessoa e nem queriam acreditar aquela pessoa a perseguir uma menina?
- O Senhor não tem vergonha: - Disseram.
- Vergonha! Vergonha! De quê? – Respondeu espantando e incrédulo
- Então a perseguir uma rapariga que podia ser sua neta? - Insistiram
- Perseguir uma rapariga? Eu? – Gritou desesperado 
- Eu queria era entregar-lhe este telemóvel que ela deixou cair à saída da rua da escola.
Abriu a mão mostrando o telemóvel novo oferecido nos anos, e que ele reparara que caíra quando a rapariga tinha tropeçado de encontro à parede.